A maioria dos cubanos e cubano-americanos que residem no sul da Flórida, nos Estados Unidos, apoia uma intervenção militar por parte do país em Cuba, de acordo com uma pesquisa encomendada pelo jornal norte-americano Miami Herald e divulgada na quinta-feira (16/04). O levantamento ouviu 800 pessoas nos condados de Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Monroe entre os dias 6 e 10 de abril, e a margem de erro é de mais ou menos 3,5 pontos percentuais.
De acordo com os dados, 79% dos entrevistados declararam apoio a alguma forma de ação militar. Desse total, 36% disseram apoiar uma intervenção com o objetivo de derrubar o governo da ilha, enquanto 38% defenderam uma ação que combine uma mudança do regime juntamente com o suposto enfrentamento da crise humanitária. Apenas 5% dos participantes apoiam uma intervenção exclusivamente humanitária.
Segundo o Miami Herald, os números surpreenderam os institutos de pesquisa, especialmente em um contexto no qual a população norte-americana tem demonstrado crescente questionamento às agressões militares promovidas pela gestão de Donald Trump contra o Irã e na Venezuela.
“O que a comunidade está dizendo aqui é que está dando sinal verde para a administração Trump entrar militarmente em Cuba e fazer o que for necessário para remover o regime”, afirmou Fernand Amandi, especialista na comunidade cubana e presidente da Bendixen & Amandi International, uma das empresas responsáveis pela pesquisa juntamente com o The Tarrance Group.
A pesquisa também investigou as opiniões sobre eventuais negociações entre Washington e Havana. Os dados mostram forte rejeição a qualquer acordo que não resulte em mudança de regime. 69% manifestaram firme oposição a um tratado que permitisse ao governo cubano permanecer no poder em troca de reformas econômicas. A desaprovação geral a esse tipo de acordo chegou a 78%.
Além disso, 77% afirmaram que ficariam insatisfeitos se as negociações levassem apenas a reformas econômicas e melhores condições de vida, sem uma mudança de regime. 68% rejeitaram negociações que pudessem fortalecer o governo comunista cubano, “mesmo que isso atrase a melhoria das condições para o povo cubano”. Esse mesmo percentual apoia o embargo energético à ilha.
Sobre a responsabilidade pela atual crise econômica e humanitária em Cuba, 73% dos entrevistados atribuíram a culpa ao governo cubano e suas políticas, em vez das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.
Do ponto de vista partidário, 57% dos entrevistados declararam-se republicanos, 17% democratas e 22% independentes. Entre os democratas cubano-americanos, 52% disseram ser contra uma intervenção militar de Washington na ilha. 65% desse mesmo grupo também se posicionou majoritariamente contra o bloqueio norte-americano ao petróleo cubano.
Segundo o Miami Herald, “eles também estavam mais inclinados do que os republicanos a aceitar negociações que melhorassem a vida do povo cubano, mesmo que beneficiassem o regime atual, e menos inclinados a apontar o governo cubano como a principal razão da atual crise humanitária da ilha”.
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