Após passagens na Espanha e na Alemanha, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Lisboa, seu último destino europeu no âmbito de sua agenda política e econômica no continente, na manhã desta terça-feira (21/04), sendo recebido pelo primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. Em declaração conjunta, o mandatário sul-americano ironizou o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Todos os dias vemos declarações, não sei de brincadeira ou não, que Trump acabou com oito guerras e não ganhou o Prêmio Nobel. Melhor dar logo o prêmio para ele para não vivermos em guerra, para a gente viver tranquilamente”, afirmou Lula. A declaração ocorreu quando o presidente brasileiro defendia a alteração no estatuto do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Estamos em uma jornada para fazer mudanças no Conselho de Segurança da ONU, em seu estatuto, para recuperar o sentido de existência para qual foi criada em 1945. Não é possível que não tenha uma instituição para acabar com a quantidade de guerras no mundo. Temos hoje a maior quantidade de conflitos simultâneos desde a Segunda Guerra”, criticou.

No discurso conjunto, Montenegro disse que os dois países compartilham da opinião de defesa da paz, estabilidade global e necessidade de se ter uma voz ativa no contexto multilateral. Sem mencionar Trump, o premiê português defendeu um mundo com “menos dependência daqueles que querem assumir posição de hegemonia”. 

Brasileiros em Portugal

Ainda durante a declaração conjunta ao lado de Montenegro, o mandatário avaliou que Brasil e Portugal vivem o melhor momento da relação bilateral, e elogiou a atuação do imigrante brasileiro em território português, classificando como parte de um “povo trabalhador”.

“A história nos preparou uma bela surpresa. A surpresa que Portugal e Brasil vivem seu melhor momento de relação. A surpresa é que para o Brasil mandar gente para cá… tem vindo muita gente mais profissionalmente, sofisticadamente formada”, argumentou.

“Tem vindo setor de classe média, que tem comprado casas aqui em Portugal e tem vindo muita gente para trabalhar. E uma coisa eu posso te assegurar: se tem um povo trabalhador, é o povo brasileiro. Se tem um povo que gosta de trabalhar e aprende com muita facilidade de fazer as coisas, é o povo brasileiro”, acrescentou.

A primeira etapa da agenda em Portugal foi na residência oficial do premiê, durante a qual foram abordados temas como xenofobia e o endurecimento de políticas anti-imigração, como parte da nova Lei dos Estrangeiros que entrou em vigor no ano passado. O governo de Lula informou que “o Brasil tem reiterado seu interesse em trabalhar conjuntamente no combate à xenofobia”.

“No contexto das mudanças nas leis migratórias portuguesas, o Brasil tem enfatizado a importância de garantir a segurança jurídica dos brasileiros, para sua plena integração e acesso a serviços públicos”, disse.

Lula criticou agressão dos EUA a Cuba

No dia anterior, na Alemanha, o presidente Lula criticou uma possível invasão militar dos Estados Unidos contra Cuba, na esteira das ameaças do governo de Donald Trump para derrubar o regime.

“Eu serei contra a invasão a Cuba assim como fui contra a da Venezuela, da Ucrânia, de Gaza, do Irã. Eu sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações”, disse o mandatário, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, em Hanôver. “Cadê a autodeterminação dos povos? Cadê o respeito aos direitos humanos? Cadê o respeito à Carta da ONU?”

Lula também reiterou as críticas ao embargo norte-americano contra a ilha caribenha, destacando que ela é “vítima de um bloqueio de 70 anos que é uma vergonha mundial”. “O país não teve a chance, depois da revolução, de conseguir definir seu destino, com uma potência fazendo um bloqueio ideológico”, salientou.

Ainda em seu discurso, afirmou que os Estados Unidos “não têm o direito” de proibir a participação da África do Sul na cúpula de líderes do G20 de 2026, que será realizada em 14 e 15 de dezembro, em Miami. Em novembro passado, Trump anunciou que não convidaria o país africano para a reunião, alegando, sem provas, uma perseguição contra a população branca.

“Os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador de participar do G20”, afirmou Lula.

O líder brasileiro revelou ter aconselhado o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa a viajar para a cúpula de dezembro mesmo sem o aval dos EUA. “Ele vai chegar lá e vamos ver o que vai acontecer, se vão deixar entrar ou não. Eu, se fosse ele, iria ao G20, não como convidado, como membro fundador”, disse.

Lula ainda ironizou o assim chamado “Conselho de Paz” criado por Trump para a Faixa de Gaza. “Se vão tirar a África do Sul hoje, amanhã vão tirar a Alemanha, vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, eles vão tirar um por um. Isso aqui não é o Conselho de Paz”, declarou.

(*) Com Ansa

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