Na tarde desta quarta-feira (22/04), um ataque israelense com drones atingiu um veículo na cidade de Tiro, localizada no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano. De acordo com a Cruz Vermelha, os passageiros Mokhtar Ali Bazi e Muhammad Al-Hourani foram mortos.
Duas jornalistas que faziam a cobertura no local teriam sido atingidas por outro ataque em seguida. Relatos preliminares indicam que a repórter Zeinab Faraj sofreu um ferimento leve na cabeça e uma fratura na perna.
Já sua colega Amal Khalil, do jornal Al-Akhbar, foi soterrada pelos escombros que caíram sobre o local onde estava durante o ataque. Após algumas horas, as equipes de resgate encontraram seu corpo sem vida.
Em norta, o diário Al-Akhbar disse lamentar “a morte de colega, que caiu como mártir enquanto cumpria seu dever jornalístico”.
Israel atacou durante resgate
Durante as operações de resgate, as forças israelenses impediram que a equipe da Cruz Vermelha e a Defesa Civil chegassem ao local. No entanto, quando o resgate foi permitido, os profissionais conseguiram retirar as duas vítimas fatais do veículo e a jornalista Zeinab. Amal não pôde ser retirada porque, durante a ação, Israel voltou a atacar, usando uma granada.
O presidente Joseph Aoun usou a rede social X (antigo Twitter) para afirmar que está acompanhando o caso. Ele pediu que a Cruz Vermelha trabalhe para prestar assistência às vítimas, em coordenação com o exército e a Força Internacional das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL, por sua sigla em inglês).
Aoun também condenou o ataque contra profissionais da comunicação durante o exercício de suas funções.
A organização Repórteres Sem Fronteiras emitiu um comunicado pedindo que a comunidade internacional pressionasse imediatamente o exército israelense a permitir o resgate da jornalista Amal Khalil. Segundo o documento, “os ataques israelenses contínuos impediram que as equipes de resgate a alcançassem”.
Cifras do conflito
De acordo com o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses no Líbano mataram 2.475 pessoas e feriram 7.696 desde 2 de março.
Além disso, 121.126 pessoas sofreram deslocamento forçado e estão sendo acolhidas em centros de abrigo. Porém, este número ultrapassa um milhão, já que muitas famílias não estão cadastradas oficialmente.
Sindicato reage
O Sindicato da Imprensa do Líbano declarou que está acompanhando “com profunda preocupação o sofrimento das jornalistas Amal Khalil e Zeinab Faraj enquanto cobriam os acontecimentos em Tiro”.
A entidade também denunciou a ação como “uma flagrante violação das leis e convenções internacionais que garantem a proteção dos jornalistas” e “uma clara tentativa de intimidar a imprensa”.
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