Enquanto aguarda a definição do cenário de primeiro turno das eleições presidenciais, o Peru pode vir a perder outro presidente interino, ameaçado por um processo de impeachment.
O Congresso peruano analisa um novo pedido de moção de censura (instrumento similar ao do impeachment) contra José María Balcázar, que está no cargo há apenas dois meses, após a destituição de José Jerí, em fevereiro passado.
Balcázar é acusado de suposto crime de responsabilidade, devido à decisão de adiar a compra de caças F-16 Block 70, um contrato avaliado em US$ 3,5 bilhões que havia sido assinado durante o governo de Jerí, no segundo semestre de 2025.
A oposição ao mandatário interino alega que o Estado peruano já havia realizado um pagamento inicial de US$ 2 bilhões.
Por sua parte, Balcázar afirma que o adiamento da compra tem como objetivo permitir que o próximo governo possa avaliar o negócio. Segundo o presidente interino “se trata de uma decisão de tal magnitude que deve ser respaldada por uma gestão legitimada pelas urnas” – declaração que alude ao fato de que Jerí também era presidente interino, imposto no cargo a partir de processo interno do Congresso.
O adiamento da compra levou à renúncia dos ministros da Defesa, Carlos Díaz Dañino, e das Relações Exteriores, Hugo De Zela. Ambos afirmaram em comunicado conjunto que a decisão de Balcázar “compromete a segurança nacional”.
O processo ainda não foi instalado, mas o presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, afirmou que “se (o pedido) tiver as assinaturas necessárias, o regimento indica que ele deve ser processado, independente do contexto eleitoral” – em referência à dúvida sobre se é possível instalar um processo de censura em plena campanha eleitoral.
Caso seja julgada e aprovada a moção de censura contra Balcázar, ele se tornaria o sétimo presidente peruano derrubado do seu cargo em um período de menos de oito anos.
A série de quedas presidenciais teve início com Pedro Pablo Kuczynski, que venceu as eleições de 2016 e renunciou ao cargo em março de 2018 para escapar de um impeachment. Em seu lugar assumiu o vice, Martín Vizcarra, destituído em novembro de 2020.
O terceiro da lista foi também o mais breve: Manuel Merino durou apenas cinco dias no cargo, entre 10 e 15 de novembro de 2020, sendo substituído por Francisco Sagasti, que assumiu como interino e se manteve até o final do mandato, em julho de 2021 – dos sete presidentes que o Peru teve nos últimos dez anos, ele foi o único que não foi destituído.
Eleito nas últimas presidenciais do país, Pedro Castillo foi destituído em dezembro de 2022, após superar duas tentativas de impeachment, em 16 meses no cargo.
A vice de Castillo, Dina Boluarte, entrou em seu lugar e se tornou a primeira mulher a governar o Peru, mas terminou sendo a quinta da lista de destituídos, em outubro de 2025 – foi também a que mais tempo permaneceu no cargo, durante dois anos e dez meses.
José Jerí foi indicado como presidente interino do Peru por ser o presidente do Congresso quando Boluarte foi derrubada. Ele se manteve no cargo por apenas quatro meses.
Apuração
Dez dias após a realização do primeiro turno das eleições presidenciais peruanas, ainda não há uma definição de quem disputará o segundo turno contra ultraconservadora Keiko Fujimori, candidata do partido Força Popular e mais votada nesta etapa do processo, com 17,05% dos votos.
Por enquanto, o candidato que aparece em segundo lugar é Roberto Sánchez, representante da coalizão de centro-esquerda Juntos Pelo Peru, com 12,04% dos votos.
Em terceiro lugar aparece outro candidato de extrema direita, Rafael López Aliaga, do partido Renovação Popular, com 11,91% das preferências.
A diferença entre Sánchez e López Aliaga é de pouco menos de 21 mil votos.
Segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais, todas as urnas já foram devidamente contabilizadas, após as últimas terem sido registradas apenas nesta quarta-feira (22/04). No entanto, ainda há pouco mais de 4,9 mil urnas cujos resultados ainda não foram oficialmente computados, devido a pedidos de impugnação enviados ao Jurado Nacional Eleitoral (JNE).
Com informações de La República e TeleSur.
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