A senadora da Cultura e Coesão Social de Berlim, Sarah Wedl-Wilson, renunciou nesta sexta-feira (24/04) ao cargo na Prefeitura de Berlim em decorrência de uma fraude financeira envolvendo a distribuição irregular de cerca de R$ 14 milhões (€ 2,6 milhões) em verbas públicas destinadas a programas de combate ao antissemitismo.
Ainda nesta semana, o secretário de Estado de seu departamento, Oliver Friederici, responsável pela gestão e aprovação operacional do processo, foi demitido. A decisão foi vista por aliados como um desfecho esperado diante das investigações em curso.
Segundo o jornal The Guardian, o prefeito de Berlim, Kai Wegner, anunciou nesta sexta-feira que aceitou a renúncia de Wedl-Wilson, afirmando que ela “assumiu responsabilidade política e pessoal – por isso, merece respeito”.
Vale ressaltar que uma auditoria estadual concluiu que a distribuição de fundos públicos para 13 projetos culturais ocorreu de forma “arbitrária” e “claramente ilegal”.
De acordo com o relatório, os recursos foram destinados a partir de uma lista elaborada por legisladores do partido União Democrata Cristã (CDU), que integram a coalizão de governo, mesmo após alertas da equipe do escritório de cultura de que os grupos beneficiados não haviam sido devidamente avaliados.
A auditoria aponta, assim, falhas graves no processo de análise e seleção dos projetos, indicando possível influência política indevida na destinação do dinheiro público. Entre os beneficiários estava um “grupo de reflexão interdisciplinar”, que recebeu € 390 mil em financiamento público.
O Tribunal de Contas de Berlim destacou que sua investigação se concentrou exclusivamente no processo de distribuição dos recursos, e não na qualidade ou mérito dos projetos financiados.
Wedl-Wilson assumiu o cargo em maio do ano passado, sucedendo Joe Chialo, da CDU, que renunciou após cortes drásticos nos subsídios para as artes na capital alemã.
Em sua despedida, o prefeito Kai Wegner agradeceu a contribuição da ex-senadora, destacando sua atuação como alguém fora do sistema político tradicional e independente, afirmando que sua nomeação “não era de forma alguma garantida”.
Autoridades alemãs afirmam que houve aumento de crimes antissemitas desde os ataques do Hamas contra Israel em 2023 e a subsequente guerra em Gaza. Ativistas pró-Palestina, no entanto, questionam a amplitude das definições utilizadas, argumentando que críticas ao governo israelense têm sido incluídas nessas estatísticas.
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