Áudios dos aplicativos de mensagem WhatsApp, Signal e Telegram obtidos com exclusividade pelos veículos Canal RED e Hondurasgate e publicados nesta quarta-feira (29/04) expõem um plano orquestrado que visa o retorno do ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández ao cargo do Executivo por meio do apoio do chefe de Estado norte-americano Donald Trump e de nomes ligados ao lobby sionista, incluindo o próprio primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. 

Em dezembro de 2025, Hernández, que estava preso em uma cela de alta segurança em Hazelton, no estado da Pensilvânia, cumprindo uma pena de 45 anos por narcotráfico e exportação de toneladas de cocaína a Washington, foi libertado após indulto do republicano.  

O objetivo do suporte oferecido pelo governo norte-americano e israelense, segundo o Canal Red, consiste na extensão do controle destes na América Central usando Honduras como base para militarização, zonas econômicas extraterritoriais e eliminação judicial da oposição. O veículo ainda descreveu que Hernández estaria “tecendo uma teia de corrupção para eliminar qualquer resistência”.

Os recentes materiais vazados mostram que a trama, além de figuras externas, envolve outros nomes de alto escalão da política hondurenha interna, como o atual chefe de Estado, Nasry Asfura; o presidente do Congresso Nacional, Tomás Zambrano; a conselheira nacional eleitoral Cosette López-Osorio; e a vice-presidente María Antonieta Mejía.

As conversas obtidas aconteceram entre janeiro e abril de 2026.

De acordo com o Canal RED, em novembro de 2026, horas antes das eleições presidenciais em Honduras, Trump anunciou o perdão a Juan Orlando Hernández pelo crime de narcotráfico em troca do endosso público a Nasry Asfura.

Em um dos áudios vazados, Hernández afirma que o dinheiro usado para viabilizar sua libertação não veio de Trump, e sim “de um conselho de rabinos e pessoas que apoiavam Israel, e que já haviam apoiado Yani Rosenthal no passado”.

O lobby pelo perdão foi coordenado pelo ativista de extrema direita Roger Stone e setores republicanos, com apoio direto de Netanyahu, de acordo com os materiais obtidos. Em outra conversa, Hernández declara que o primeiro-ministro de Israel iria dar seu apoio, acrescentando que os israelenses “tiveram tudo a ver” com sua saída e negociação.

Já em outro áudio, a vice-presidente hondurenha María Antonieta Mejía afirma estar pronta para “mais quatro anos” e que “as pessoas adoram o presidente Juan Orlando”. Segundo ela, há “centenas de pessoas, milhares, milhões” que querem que o ex-presidente volte ao cargo do Executivo. 

Embora o presidente de Honduras, Nasry Asfura, tenha negado qualquer vínculo com Hernández durante a campanha, os áudios mostram que sua vitória – obtida com 40,27% dos votos sem conclusão da apuração – foi parte de um plano costurado com Trump. Inclusive, assim que empossado, Asfura viajou a Mar-a-Lago.

Em uma mensagem, Hernández cobra ao presidente avanços em seu caso judicial, especificamente sobre a composição da Suprema Corte de Justiça.

“Presidente. Boa tarde. Saudações. Aqui pergunto sobre meu caso, se você tem alguma resolução, se tem algo a compartilhar comigo para ver se avançou na questão da Suprema Corte de Justiça. Quero pensar que você não vai me empurrar para o lado porque, graças a mim, você está sentado naquela cadeira. Presidente, serei eu. E espero ansiosamente o apoio de vocês. Porque foi sobre isso que conversamos com o presidente Trump”, diz.

As negociações

“Os áudios confirmam que Trump e Netanyahu estão buscando milhões em compensação em troca da nomeação de presidentes”, informa o Canal RED. As negociações incluem a expansão das chamadas Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômico (ZEDES) – que são os  “estados privados” que permitem tribunais autônomos e leis estrangeiras em solo nacional –, a construção de uma nova base militar e um pacote de incentivos para inteligência artificial.

Em uma mensagem vazada de Asfura a Hernández, o atual presidente relata uma reunião com círculos de investimento, que teriam recebido com entusiasmo a expansão das ZEDES em Roatán e Comayagua. Também menciona a transferência de uma base militar nos moldes de Palmerola especificamente para Roatán, além de um projeto interoceânico que seria entregue à General Electric.

Em outro áudio, Hernández também aparece dando ordens ao presidente do Congresso Nacional, Tomás Zambrano, para acelerar julgamentos políticos contra quem denunciou irregularidades eleitorais ou poderia manter ações judiciais contra ele.

No recado, Hernández orienta que Zambrano “recupere todo o poder” e que “o povo de Israel enviou dinheiro”. Ele diz ainda que Zambrano deve avaliar quem realmente o aconselha corretamente, afirmando que Asfura “é popular, mas não é político”.

“O povo de Israel enviou dinheiro para você. Estou fazendo lobby aqui, bem. Depois, você se olha e vê quem realmente está te aconselhando corretamente. Ele não é um papa político. Ele é popular, mas não é político”, afirma.

Em 25 de março de 2026, o procurador-geral Johel Zelaya foi, então, destituído  e a presidente da Suprema Corte, Rebeca Ráquel Obando, renunciou sob pressão. Em 16 de abril, o Congresso demitiu Marlon Ochoa, Mario Morazán e outros do Tribunal de Justiça Eleitoral, os mesmos magistrados que haviam pedido recontagem de votos e sofriam sanções dos Estados Unidos.

Em um dos últimos áudios, Hernández afirma que “Juan Orlando retorna em breve”, que há “ótimas notícias” e que ele está “voltando para a presidência”.

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