María Corina Machado, denunciada por várias tentativas de golpe na Venezuela, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel nesta sexta-feira (10/10), ao afirmar que a líder da extrema direita venezuelana é um “símbolo da luta democrática”.

Ao conceder o título da Paz, o Comitê Norueguês destacou “seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

Premiada em meio à ofensiva diplomática norte-americana contra o governo de Nicolás Maduro, María Corina é conhecida por ser uma contundente defensora da intervenção de Washington no país e pelo discurso ultraliberal e antichavista. Ela é considerada uma versão venezuelana do bolsonarismo: hostil à esquerda, defensora da privatização radical da economia e participante dos principais golpes no país, como o de 2002 contra Chávez e a tentativa de desestabilização do governo em 2019, ao lado de Juan Guaidó.

Como explica a professora de Relações Internacionais da Unifesp, Carolina Petroso, “há bastante tempo Marina Corina defende que os Estados Unidos intervenham militarmente na Venezuela. Disse isso no primeiro governo Trump, frisou no contexto de manifestações contra Maduro na eleição de 2018”.

Ela destaca que embora, muitas vezes vendida como a esperança restaurada de uma democracia na Venezuela, Marina Corina é uma fascista. “Participou do golpe em 2002 contra Chávez e tinha ligações muito próximas com [George W.] Bush nos anos 2000”, relata.

Há meses, Corina vive na clandestinidade para não ser presa. O processo contra ela começou em 2015, quando o TSJ decidiu pela inelegibilidade por 12 meses por “inconsistência e ocultação” de ativos na declaração de bens que ela deveria ter apresentado à Controladoria-Geral da República (CGR) enquanto foi deputada na Assembleia Nacional, entre 2011 e 2014.

Em junho de 2023, a CGR ratificou que María Corina estaria inabilitada para ocupar cargos públicos por 15 anos. Em agosto de 2024, o Ministério Público da Venezuela abriu uma investigação criminal contra ela e Edmundo González pela tentativa de deslegitimar as eleições presidenciais de julho, que reelegeram Maduro com 51,2% dos votos, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país.

A escolha de María Corina foi também uma derrota simbólica para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia transformado o Nobel da Paz em uma meta pessoal. Nesta quarta-feira (08/10), Trump comemorou publicamente o acordo entre Israel e o Hamas, classificando-o como “um passo histórico em direção à paz mundial”. Ele reiterou várias vezes a possibilidade de vencer o prêmio e estava entre 338 indicações recebidas pelo Comitê neste ano.

 

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