A Palantir Technologies, empresa norte-americana de software e inteligência artificial (IA) comandada por Alex Karp, reportou lucros recordes no primeiro trimestre de 2026. Fornecedora de tecnologia para o Pentágono, seus lucros quadriplicaram em meio à guerra contra o Irã, iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

Em carta aos acionistas, Karp anunciou “ganhos recordes e constante aumento” devido à expansão em contratos governamentais e no setor privado. Além de auxiliar o Departamento de Imigração e Alfândega (ICE) em suas perseguições contra imigrantes dentro dos Estados Unidos, a Palantir oferece serviços militares para o Pentágono, as Forças de Defesa de Israel e para o exército ucraniano, entre outros.

Apenas no primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou um lucro líquido global de US$ 870,5 milhões (R$ 4,2 bilhões) no período, mais de quatro vezes superior ao obtido no mesmo trimestre do ano anterior.  As receitas totais cresceram 85%, atingindo US$ 1,63 bilhão (R$ 8 bilhões). Somente a receita dentro do país cresceu 104% na comparação anual, para US$ 1,28 bilhão (R$ 6,2 bilhões).

Suas estimativas de lucro para este ano de 2026 estão na faixa de US$ 7,65 bilhões a US$ 7,66 bilhões (mais de R$ 37 bilhões). A Palantir desempenha um papel central na análise de dados de inteligência e na condução de operações militares a partir do sistema Maven, uma plataforma de vigilância baseada em inteligência artificial, capaz de processar imagens de satélite em tempo real.

Riscos

O sistema foi criticado ao ser usado no ataque à escola feminina de Minab no primeiro dia do enclave no Irã. A escola, erradamente interpretada como um alvo militar, sofreu um bombardeio que matou 175 pessoas, a maioria crianças e funcionárias da instituição. O episódio levantou questionamentos sobre os riscos do uso de inteligência artificial em operações militares, além da responsabilidade de empresas envolvidas em conflitos armados.

No último dia 18 de abril, outra polêmica girou em torno da empresa, após a Palantir divulgar um manifesto nas redes sociais defendendo abertamente que companhias tecnológicas atuem com o governo norte-americano na área militar. “Se um fuzileiro naval dos EUA pede um rifle melhor, devemos construí-lo; e o mesmo vale para softwares”, afirmou.

O texto, de 22 pontos, diz ainda que “algumas culturas produziram avanços vitais; outras permanecem disfuncionais e retrógradas”, afirmando explicitamente que o dogma de que “todas as culturas são iguais” ignora o fato “de que certas culturas e, de fato, subculturas… produziram maravilhas. Outros se mostraram medianos e, pior ainda, retrógrados e prejudiciais”.

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