O governo dos Estados Unidos informou nesta sexta-feira (24/04) que o agente norte-americano Michael Myers, que trabalhava junto à Polícia Federal (PF), deixou o país após a decisão da própria PF e do Ministério das Relações Exteriores de retirar suas credenciais, adotando medidas de reciprocidade em relação uma determinação recente de Washington envolvendo um delegado brasileiro.
Segundo a Casa Branca, Myers trabalhava desde 2024 em colaboração com a PF, como parte de um acordo de cooperação entre os dois países em matéria de Segurança.
O comunicado norte-americano informa que o agente deixou o país na mesma quarta-feira (22/04) em que teve suas credenciais retiradas.
A retirada das credenciais foi aplicada a um segundo agente norte-americano, que também trabalhava em colaboração com a PF.
As autoridades brasileiras não informaram a identidade do agente, mas afirmam que ele não saiu do país. Sobre o caso de Myers, o Itamaraty esclareceu que, apesar da retirada das credenciais, o agente não foi expulso do Brasil, e deixou o país por decisão própria.
Caso Ramagem
A questão da reciprocidade ganhou repercussão na última segunda-feira (20/04), quando o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país – a postagem não citou o nome do funcionário envolvido, mas detalhou que ele estaria ligado à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão por seu envolvimento na trama golpista liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023) após o segundo turno das eleições de 2022.
O ex-parlamentar, que também foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Bolsonaro, se encontrava foragido em Miami desde setembro de 2025, e foi preso no dia 13 de abril por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, por sua sigla em inglês), mas libertado dois dias depois.
A punição ao delegado da PF que trabalhou em colaboração com o ICE na prisão de Ramagem foi criticada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento na Alemanha, onde realiza visita de Estado.
“Se houve um abuso dos norte-americanos em relação ao nosso policial, nós vamos aplicar reciprocidade com um deles no Brasil. Não tem conversa”, disse o mandatário brasileiro.
Segundo Lula, “não podemos aceitar ingerência e abuso de autoridade que algumas personalidades norte-americanas querem ter em relação ao Brasil”.
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