As monarquias do Golfo Pérsico manifestam descontentamento com a condução da ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, mas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos consideram entrar diretamente na guerra, afirma The Wall Street Journal, nesta terça-feira (24/03).
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, há uma unidade entre os Estados do Golfo na oposição aos ataques de Teerã, no entanto, aliados árabes de Washington avaliam que a Casa Branca está ignorando suas posições enquanto a guerra avança e impacta diretamente a segurança desses países.
Um dos pontos de tensionamento envolveu o ataque israelense ao campo de gás de South Pars realizado em 18 de março. Segundo fontes americanas e israelenses ouvidas pelo WSJ, os países do Golfo que foram contrários ao ataque e acreditavam ter convencido o presidente norte-americano, Donald Trump, a não permitir novas agressões às infraestruturas energéticas iranianas.
Em retaliação, o Irã atacou o polo energético Ras Laffan, no Catar, além de um centro energético do Mar Vermelho saudita e instalações no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos.
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita
WSJ afirma que os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita têm intensificado contatos com Washington, pressionando Trump a concluir rapidamente a ofensiva e neutralizar as capacidades militares do Irã.
A Arábia Saudita permitiu o uso da Base Aérea Rei Fahd por forças norte-americanas. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, estaria cada vez mais inclinado a apoiar a entrada direta do reino no conflito. “É apenas uma questão de tempo”, disse uma das fontes ao jornal.
Segundo o chanceler do país, o ministro Faisal bin Farhan, “a paciência da Arábia Saudita com ataques iranianos não é ilimitada”. A repórteres, ele afirmou que “qualquer crença de que os países do Golfo são incapazes de responder é um erro de cálculo”.
Uma reportagem do jornal The New York Times, também divulgada nesta terça (24/03), aponta que bin Salman teria incentivado Trump a continuar a guerra no Irã, argumentando que a campanha representa uma ‘oportunidade histórica’ para remodelar o Oriente Médio.
Autoridades sauditas, no entanto, rejeitam as alegações do jornal, dizendo que o país ‘sempre apoiou uma resolução pacífica para este conflito, mesmo antes de seu início’.
Emirados Árabes Unidos e outras nações
O ministro da Indústria e Desenvolvimento Tecnológico dos Emirados Árabes Unidos, o sultão Ahmed Al-Jaber, acusou o Irã de “terrorismo econômico” nesta segunda-feira (23/03) devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula um quinto do petróleo mundial.
Os Emirados Árabes Unidos adotaram medidas concretas contra ativos iranianos, ameaçando um dos principais canais financeiros utilizados por Teerã. Anteriormente, o país sinalizou com a possibilidade de congelar bilhões de dólares após ataques sofridos no início do conflito.
Nesta segunda-feira (23/03), o Irã recebeu ao menos sete propostas de países que se ofereceram como possíveis mediadores para uma mesa de diálogo com o governo dos Estados Unidos. Segundo o canal de notícias catari Al Jazeera, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi conversou com as lideranças do Azerbaijão, Coreia do Sul, Egito, Omã, Paquistão, Turcomenistão e Turquia.
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