A Oxfam publicou o relatório “Água sob fogo cruzado” sobre os ataques de Israel às infraestruturas de serviços básicos no Líbano, como água, higiene e saneamento, dos quais milhões de pessoas dependem diariamente. A entidade conversou com concessionárias públicas que cuidam do abastecimento e gestão de águas residuais no sul do Líbano e nas regiões de Bekaa e Beirute-Monte Líbano.
“O estado das infraestruturas essenciais, o acesso à água potável, às instalações sanitárias e aos produtos de higiene, bem como o acesso aos serviços básicos, continuam sendo uma grande preocupação”, afirma o relatório.
A entidade alerta para a deterioração do acesso à higiene, a perda de meios de subsistência e de áreas verdes, além da ameaça de eclosão de surtos de doenças, caso não ocorra apoio com rapidez. “As consequências são enormes porque, sem água, não há vida”, afirma Rosalie Ataya, coordenadora de Políticas Humanitárias da Oxfam.
Em entrevista ao Expresso, ela avaliou que a estratégia israelense “parece basear-se na crença de que o povo vai abandonar a terra” se não houver garantias de permanência e sobrevivência.
Bombardeios
Desde 2 de março, frisa o texto, Israel lançou uma “campanha de bombardeios devastadora em todo o Líbano“, em particular no sul do país, nos subúrbios de Beirute e nas províncias de Bekaa e Baalbek el-Hermel, deixando 912 mortos, 2.221 feridos e mais de um milhão de pessoas deslocadas que, agora, se encontram em abrigos coletivos, acomodações improvisadas ou abandonadas nas ruas.
O relatório também recupera os ataques israelenses anteriores à escalada deste ano. No final de 2024, mais de 45 redes de abastecimento de água foram danificadas pelos ataques israelenses, afetando quase 497 mil pessoas. “As preocupações são igualmente elevadas, dada a impunidade contínua que tem permitido que a violência na região e as violações do Direito Internacional Humanitário (DIH) continuem”, aponta o texto.
“Em 2024, os ataques israelenses danificaram ou destruíram dez instalações relacionadas à água, contando apenas aquelas apoiadas pela Oxfam, o que demonstra como a infraestrutura hídrica tem sido repetidamente vítima da guerra”, afirma o relatório.
Além disso, após a trégua assinada em novembro de 2024, mais de 15.400 violações foram registradas pelas Nações Unidas e pelo governo libanês, e 370 pessoas mortas até o final de fevereiro de 2026, antes do início da atual escalada. Agora, afirma o documento, “os ataques israelenses em expansão estão mais uma vez colocando comunidades inteiras em perigo”.
Regiões afetadas pela guerra atual
“Apesar dos graves riscos à segurança, muitas famílias permaneceram nessas áreas, tornando urgente garantir o abastecimento adequado de água tanto a curto quanto a longo prazo”, afirma a entidade.
A entidade ressalta que as instalações de abastecimento de água que operam em áreas mais ao norte também precisam urgentemente de apoio em termos de infraestrutura e materiais, como peças de reposição e fornecimento de energia.
Metade dos abrigos identificados estão em Beirute e no Monte Líbano demandando forte apoio aos serviços essenciais nessas regiões. Além disso, várias cidades importantes na região de Bekaa, receberam ordens de deslocamento forçado e permanecem sob bombardeio.
A região, aponta o documento, foi significativamente afetada por danos às instalações hídricas, às áreas ao seu redor e às atividades que dependem do acesso à água, como a agricultura. Pelo menos sete instalações hídricas foram danificadas entre 6 e 9 de março de 2026.
Preços disparam
O relatório também destaca que desde 2019, o Líbano vem sofrendo uma das piores crises econômicas de sua história, o que levou a libra libanesa perder mais de 98% de seu valor, aumentando as necessidades humanitárias em todo o país.
Agora, com o fechamento do Estreito de Ormuz, os preços da gasolina dispararam e continuaram flutuando drasticamente, prejudicando ainda mais a situação, com a falta de energia e a redução de operações de abastecimento básico rotineiras, como o transporte de água por caminhão-pipa, aumentando os riscos à saúde.
A Oxfam demanda como ações imediatas a priorização dos serviços de abastecimento hídrico e sanitário; a implementação de soluções temporárias pelo governo, ONGs e atores internacionais nas áreas que abrigam os deslocados; além da garantia do acesso humanitário sem impedimentos e a proteção da infraestrutura civil.
“Todas as partes devem garantir a proteção dos civis e da infraestrutura civil, incluindo instalações e redes de água”. diz o texto.
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