Deir el-Balah, cidade localizada no centro da Faixa de Gaza, realiza no próximo sábado (25/04) as primeiras eleições municipais do território em mais de duas décadas. O município foi escolhido por ter sofrido menos danos estruturais durante a guerra e por não estar sob ocupação terrestre de Israel.
Reportagem da Al Jazeera sobre o pleito recorda que, em dezembro de 2024, o prédio da prefeitura do município foi atingido por um bombardeio israelense que matou seu prefeito Diab al-Jarou e outros 10 funcionários. O ataque ocorreu apesar de a cidade ter sido classificada como “zona segura”.
A Comissão Central de Eleições da Palestina, responsável por administrar as eleições em todos os territórios palestinos, considera a votação como um marco crucial e um teste para a retomada da democracia.
A eleição em Deir el-Balah é parte de um processo eleitoral mais amplo, que inclui 420 conselhos locais na Cisjordânia ocupada. A cidade é a única participante da Faixa de Gaza. Ao todo, cerca de 70.000 eleitores elegíveis com mais de 18 anos poderão votar em 12 centros eleitorais.
Sistema eleitoral
Hamas e Fatah não irão concorrer oficialmente, embora candidatos ligados a essas correntes estejam presentes. O pleito traz mudanças em relação à política de nomeações administrativas que governou o território sob a liderança do Hamas nos últimos 21 anos.
O sistema eleitoral ocorrerá em listas fechadas, com pelo menos 15 candidatos e no mínimo quatro mulheres. Quatro listas independentes disputam o conselho municipal, em um sistema que exige, no mínimo, a participação de mulheres entre os candidatos.
Os eleitores primeiro escolherão uma das quatro listas e, em seguida, votarão em cinco candidatos, os 15 com maior apoio formarão o novo conselho local.
Soluções reais
Analistas ouvido pela agência catari avaliam que o contexto de guerra limita o peso político da votação. “Nem o Hamas nem qualquer outra facção, incluindo o Fatah, vê esta eleição como uma oportunidade para provar sua legitimidade ou medir sua popularidade. As circunstâncias são simplesmente extraordinárias”, afirmou.
Ele avalia que a predominância de listas independentes reflete o retorno a estruturas sociais tradicionais. “A Autoridade Palestina (AP) está lutando por sua existência e seu simbolismo. Esta eleição é uma tentativa desesperada da AP de expressar legitimidade e existência à comunidade internacional”, acrescentou.
Al Jazeera conversou com os eleitores da cidade. Eles foram unânimes no apelo por soluções concretas diante da crise humanitária. “O cidadão de hoje não busca slogans, mas soluções reais”, disse a moradora Rabha al-Bhaisi, destacando a necessidade urgente de serviços básicos como água potável, eletricidade e saneamento.
Outro residente, Ali Rayan, afirmou que realizar eleições “não será suficiente se não atenderem às demandas mínimas de vida e não se traduzirem em uma mudança concreta no território”.
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