Julios Malema, líder do Economic Freedom Fighters (EFF), o quarto maior partido do Congresso sul-africano, foi condenado, na última quinta-feira (16/04), a cinco anos de prisão por ter atirado para o alto, ao comemorar o quinto aniversário da legenda durante um comício, em 2018.

Conhecido por sua luta pelos direitos da população negra na África do Sul, Malema disse que vai recorrer à sentença. Ele vem sendo alvo de processos movidos pelo AfriForum, um grupo supremacista de extrema-direita que, segundo reportagem da People Dispatch, esteve no centro da disseminação de fake news sobre um falso genocídio contra a população branca no país.

Foram essas mentiras usadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para constranger o mandatário sul-africano, Cyril Ramaphosa, no Salão Oval, em maio de 2025. Exibindo imagens de Malema cantando “Kill the Boer”, canção de resistência da época apartheid, ele cobrou do presidente sul-africano a prisão do líder da EFF.

Malema, que se encontra em liberdade provisória, afirmou que irá levar o julgamento até as instâncias superiores. Caso seja condenado, ele não poderá atuar como parlamentar, conforme a legislação que impede que sentenciados a mais de um ano de prisão atuem no Parlamento.

Condenação

Malema foi membro do Congresso Nacional Africano (CNA), partido do presidente Ramaphosa até 2012, quando fundou a EFF. Durante um comício, em 2018, ao comemorar os cinco anos da legenda, ele pegou o rifle do seu segurança Adriann Snyman e disparou para o alto.

Na sequência, a AfriForum abriu um processo contra o político no Tribunal de Magistrados de East London. Ele foi condenado por cinco acusações, incluindo disparo injustificado e posse ilegal de arma e de munição, apesar do rifle não ser seu. A própria juíza que o condenou, destaca a reportagem, desconhecia este fato.

O político classificou a juíza Twanet Olivier, responsável pela sentença, de “racista de destaque” e “possivelmente membro do AfriForum”, salientando que ela proibiu menções ao grupo enquanto ouvia os argumentos da defesa.

Segundo Malema, a decisão foi proferida por uma “mão invisível controlando o processo”. “Estamos lutando contra o inimigo e ele é o supremacista branco”, afirmou.

Questão política

O CNA, partido governista, criticou a sentença, classificando-a de “muito severa”. Seu secretário-geral, Fikile Mbalula, afirmou que o caso faz parte de uma campanha mais ampla contra lideranças que “ousam se levantar” contra os direitos da população negra marginalizada pelos “netos do apartheid”.

A reportagem destaca que, anteriormente, o AfriForum havia espalhado desinformação sobre a Lei de Expropriação de Terras do governo Ramaphosa, disseminando o temor de um confisco em massa das propriedades da população branca no país.

Na época, o presidente sul-africano explicou que não havia riscos de confisco e que se tratava de um “processo legal” para garantir “acesso público à terra de maneira equitativa e justa, conforme orientado pela Constituição”. Frente ao episódio, a Casa Branca chegou a suspender “todo financiamento” à África do Sul, até que uma investigação completa sobre a situação fosse concluída.

A reportagem também alerta que, com minoria parlamentar desde 2024, o CNA vem buscando parceria da Aliança Democrática (DA), uma legenda defensora do privilégio branco, que comemorou a condenação de Malema.

A DA foi contra a decisão de Ramaphosa de levar Israel à Corte Internacional de Justiça (CIJ) pelo genocídio da população palestina durante a guerra em Gaza. E também se opõe às ações afirmativas de combate ao racismo e às leis trabalhistas do atual governo.

 

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