Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28/04) que estão deixando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a aliança OPEP+ a partir de 1º de maio, anunciou a Wam, agência de notícias emiradense.

Os Emirados Árabes são um dos principais produtores do grupo e sua saída pode gerar um enfraquecimento da organização que reúne os maiores produtores de petróleo do mundo, em um momento em que os mercados globais de energia enfrentam uma grave crise de abastecimento.

O ministro de Energia emiradense, Suhail Mohamed al-Mazrouei, afirmou à agência de notícias Reuters que a decisão foi tomada de uma avaliação detalhada das atuais e futuras estratégias energéticas da potência regional.

Questionado sobre se os Emirados haviam consultado a Arábia Saudita, ele disse que o tema não foi discutido com nenhum outro país.

“Trata-se de uma decisão política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção”, declarou o ministro.

O Ministério da Energia dos Emirados Árabes Unidos afirmou, em um comunicado, que a saída da OPEP irá proporcionar ao país maior flexibilidade para responder a uma “nova era da energia”, em consonância com sua “visão estratégica e econômica de longo prazo”.

Segundo a agência de notícias emiradense, Wam, os Emirados que entraram no cartel em 1967 “aportaram contribuições importantes e consentiram em sacrifícios ainda maiores no interesse de todos. Mas chegou o momento de concentrarmos nossos esforços no que manda nosso interesse nacional”.

Criada em 1960, a OPEP reúne atualmente 12 membros e formou, em 2016, uma aliança com outros 10 países – inclusive a Rússia – sob um acordo denominado OPEP+, com o objetivo de limitar a oferta e apoiar os preços diante dos desafios trazidos pela concorrência dos Estados Unidos.

Triunfo de Trump

Para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a saída dos Emirados Árabes da OPEP representa uma vitória. Ele já havia acusado a organização de “explorar o resto do mundo” ao inflacionar os preços do petróleo e restringir a produção.

O preço do petróleo Brent chegou a atingir US$ 119,50 por barril desde o início da guerra no Irã. Na terça-feira, subiu 3,4%, para US$ 111,67.

Vale ressaltar que os Emirados são um dos países mais atacados pelo Irã em represália à ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, iniciada em 28 de fevereiro. O conflito levou o Estreito de Ormuz, por onde costumam transitar 20% dos hidrocarbonetos consumidos em nível mundial, a ficar praticamente fechado. Isso, por sua vez, provocou a disparada dos preços do petróleo.

Em relação ao conflito no Oriente Médio, nesta segunda-feira (27/04), o assessor diplomático do presidente dos Emirados Árabes, Anwar Gargas, criticou os Estados árabes e do Golfo por não fazerem o suficiente para protegê-los de ataques iranianos durante o conflito.

Na semana passada, Trump confirmou que os Estados Unidos estavam considerando ajudar financeiramente os Emirados Árabes Unidos por meio de um acordo entre os bancos centrais dos dois países, concordando em trocar quantias equivalentes de suas moedas caso a crise no Oriente Médio se agravasse.

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