Forças militares dos Estados Unidos atacaram e capturaram um navio cargueiro iraniano nas proximidades do Estreito de Ormuz na madrugada desta segunda-feira (20/04). O episódio ocorre em meio ao cessar-fogo entre Washington e Teerã e a esforços diplomáticos para conter a guerra, elevando a tensão em uma das principais rotas do comércio global de petróleo.
Em comunicado divulgado pela agência Tasnim, o porta-voz do Quartel-General Central de Jatam al Anbiya afirmou que os Estados Unidos “atacaram um navio comercial do Irã nas águas do mar de Omã”, violando o cessar-fogo e cometendo um ato de pirataria marinha”. Segundo a mesma nota, “após o ataque dos EUA, as forças iranianas também atacaram navios militares norte-americanos com drones”.
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) confirmou que o cargueiro, identificado como Touska, foi interceptado após desobedecer ordens durante o bloqueio naval imposto por Washington. De acordo com os militares, “as forças norte-americanas emitiram vários avisos e informaram ao navio de bandeira iraniana que ele estava violando o bloqueio dos EUA”.
Após a tripulação do Touska não ter atendido a “repetidos avisos durante um período de seis horas”, o destroier USS Spruance disparou contra a sala de máquinas da embarcação para desativá-la, permitindo a abordagem pelos fuzileiros navais que desceram de helicópteros e assumiram o controle do navio.
O Touska, de bandeira iraniana, seguia da China para o porto de Bandar Abbas e tornou-se o primeiro cargueiro iraniano apreendido pelos EUA desde o início do bloqueio naval. O presidente Donald Trump comentou a operação em sua rede social, afirmando que as tropas norte-americanas estão “vendo o que há a bordo”.
Resposta de Teerã
Horas após o ataque, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, acusou os Estados Unidos de “violarem o cessar-fogo”, declarando que “o Irã não confia em Washington”. Ele acrescentou que “há indícios, por parte dos Estados Unidos, de que não há seriedade em seguir o caminho da diplomacia”.
A resposta teve impacto imediato nas negociações internacionais. Baghaei afirmou a repórteres que Teerã não tem planos de enviar seus negociadores a Islamabad para a rodada de negociações nesta terça-feira (21), programada pelo Paquistão, com a presença dos representantes dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner. “Até ao momento, não tomamos qualquer decisão relativamente à próxima ronda de negociações”, afirmou.
Ele enfatizou que o comportamento dos Estados Unidos contradiz sua retórica, aprofundando a desconfiança iraniana. “O Irã tomará as decisões necessárias sobre o caminho futuro, levando em consideração seus interesses nacionais”, reiterou Baghaei.
Segundo o chanceler, o país não pode ignorar a “experiência extremamente custosa” do ano passado, declarando que os Estados Unidos “traíram a diplomacia duas vezes” e realizaram ataques contra a soberania e os ativos do Irã. “Todos os setores do Irã estão monitorando atentamente qualquer processo”, afirmou.
O governo iraniano classificou a apreensão do navio como um ato de “pirataria” e ameaçou retaliação, ampliando o risco de novos confrontos. “Advertimos que as Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão em breve e retaliarão contra essa pirataria armada perpetrada pelos militares dos EUA”, afirmou um porta-voz do Khatam al-Anbiya, o comando militar conjunto do Irã.
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