Mais de 600 funcionários do Google reagiram a um possível acordo da empresa com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que prevê o uso de inteligência artificial (IA) em ambientes confidenciais e classificados. Eles encaminharam uma carta ao CEO da empresa, Sundar Pichai, alertando que a companhia não possui mecanismos suficientes para garantir que seus sistemas de IA não sejam utilizados de forma abusiva pelo Pentágono.

O documento reúne assinaturas dos funcionários do DeepMind e do Cloud do Google. “Como pessoas que trabalham com IA, sabemos que esses sistemas podem centralizar o poder e que cometem erros”, escreveram. “Sentimos que nossa proximidade com essa tecnologia nos impõe a responsabilidade de destacar e prevenir seus usos mais antiéticos e perigosos”, reiteraram.

O acordo foi divulgado no começo do mês pelo site The Information. Segundo os funcionários da empresa, as cláusulas contratuais proibindo vigilância em massa ou armas autônomas sem supervisão humana seriam difíceis — ou impossíveis — de serem aplicadas. “A única maneira de garantir que o Google não esteja associado a tais danos é rejeitar quaisquer cargas de trabalho confidenciais”, afirmam.

O Google já mantém contratos com o Pentágono por meio da plataforma genAI.mil para operações não classificadas. Agora, o acordo estabelece a inclusão de ambientes confidenciais e pretende implantar modelos de IA Gemini. Segundo o texto, a expansão da parceria para ações sigilosas poderia causar “danos irreparáveis à reputação do Google, aos seus negócios e ao seu papel no mundo”.

Caso Anthropic

A reação dos trabalhadores do Google surge meses após a Anthropic, empresa de inteligência artificial sediada em São Francisco, ter sido excluída do Departamento de Defesa e classificada como “risco para a cadeia de suprimentos” após solicitar medidas de proteção em torno da IA usada para vigilância em massa doméstica ou armas autônomas.

A Anthropic, desenvolvedora de vários modelos da linguagem Claude, entrou com uma ação judicial contra o governo Trump, após a medida, em geral, aplicada a adversários estrangeiros. Na época, centenas de funcionários do Google e da OpenAI assinaram carta pública em apoio à empresa.

Apesar disso, logo após o episódio, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou um acordo com o Departamento de Defesa. A decisão foi duramente criticada e ele reconhecendo que o contrato “parecia oportunista e malfeito”, garantindo ter incluído restrições relacionadas à vigilância doméstica no acordo.

 

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