O embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali, afirmou nesta sexta-feira (24/04) que a nação persa abriu exceções para Estados com os quais mantém boas relações, concedendo isenções das taxas de pedágio para embarcações amigas que eventualmente transitem pelo Estreito de Ormuz. A Rússia está entre os países isentos.
Segundo o diplomata à RIA Novosti, a iniciativa do Ministério das Relações Exteriores do Irã se configura como parte dos esforços mais amplos para manter a cooperação com as nações aliadas. Ainda de acordo com ele, citado pela agência TASS, os presidentes russo Vladimir Putin e iraniano Masoud Pezeshkian têm mantido contato próximo desde o início da agressão dos EUA e de Israel contra a República Islâmica.
“Quanto à nossa interação política, nossas relações continuam [a se desenvolver] dentro de organizações internacionais. Nossos presidentes mantêm um contato muito bom. Os ministros das Relações Exteriores dos dois países [Sergey Lavrov e Abbas Araghchi] também mantêm uma relação de trabalho muito forte”, afirmou.
O bloqueio parcial da rota marítima, importante via por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, tornou-se uma ferramenta por parte de Teerã no contexto da guerra, pressionando a economia global em represália aos inimigos Estados Unidos e Israel, que iniciaram uma guerra em 28 de fevereiro.
A implementação do pedágio foi uma medida recentemente anunciada pelo Irã em meio ao aumento das tensões regionais e às negociações que têm sido categoricamente rechaçadas pelo Irã diante das “exigências excessivas e irracionais” dos Estados Unidos de Donald Trump.
De acordo com os parlamentares iranianos, as taxas para as passagens devem variar dependendo do tipo e volume de carga, bem como dos riscos associados. As primeiras receitas arrecadadas foram anunciadas nesta na quinta-feira (23/04), sendo elas depositadas na conta do Banco Central, conforme o vice-presidente do Parlamento iraniano Hamidreza Haji Babaei.
Apesar de um cessar-fogo de duas semanas anunciado anteriormente, as negociações mediadas pelo Paquistão não conseguiram produzir um avanço. A Casa Branca posteriormente declarou um bloqueio aos portos iranianos, ameaçando que ele só seria levantado após um acordo sob suas conformidades ser alcançado.
Em resposta, o Irã retomou o bloqueio no Estreito de Ormuz. Apesar das tratativas fracassadas, o presidente Trump anunciou unilateralmente a extensão do cessar-fogo, sem o pedido de Teerã, dizendo que a medida permaneceria em vigor indefinidamente até que a nação persa apresentasse uma proposta de acordo e as negociações fossem retomadas.
Bloqueio naval dos EUA
Os Estados Unidos intensificaram sua presença militar na região do Oriente Médio com a chegada do porta-aviões USS George H.W. Bush à costa árabe, sob a direção do Comando Central norte-americano (Centcom), acompanhado por tropas adicionais e aeronaves de combate. O anúncio foi feito pelo Centcom na quinta-feira.
Nos últimos dias, o destacamento incluiu o USS Abraham Lincoln no Mar Arábico e o USS Gerald R. Ford no Mar Vermelho, além de uma frota de contratorpedeiros como o USS Bainbridge, USS Thomas Hudner, USS Frank E. Petersen Jr. e USS Delbert D. Black. Também contemplou o Grupo de Ataque Anfíbio de Trípoli, composto pelo USS Tripoli, USS New Orleans e USS Rushmore, e os navios de combate litoral USS Canberra e USS Tulsa.
“Nunca tivemos tanta munição. Nossos navios estão carregados. Eles estão prontos para o combate. Estão prontos para partir”, disse Trump, em uma tentativa de pressionar o Irã.
As embarcações também reforçam o bloqueio naval, impedindo a saída e entrada de embarcações em e para portos iranianos com o objetivo de controlar o fluxo do petróleo bruto do país para os mercados internacionais.
(*) Com Tasnim, TASS e Telesur
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