O governo libanês acusou Israel de ter promovido um ecocídio” no Líbano, durante os ataques de Tel Aviv contra o país, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. A acusação tem como base um relatório sobre a destruição ecológica no território libanês, elaborado pelo Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS-L).
Intitulado “Orientando passos rumo à recuperação pós-guerra dos ecossistemas naturais do Líbano”, o documento apresenta um diagnóstico da situação ecológica e traz propostas para a reconstrução ambiental e os custos da devastação pela guerra.
No prefácio, a ministra do Meio Ambiente do Líbano, Tamara El Zein, afirma que a escala e a intencionalidade dos danos “constituem o que deve ser reconhecido como um ato de ecocídio, com consequências que vão muito além da destruição imediata”.
“O dano ambiental que enfrentamos não é apenas ecológico. É uma questão de saúde pública, segurança alimentar, meios de subsistência, tecido social e resiliência nacional”, afirma.
Ao britânico The Guardian, ela acrescentou que “o Líbano não consegue carregar esse fardo sozinho” e pediu “solidariedade e apoio internacionais para dividir a responsabilidade da recuperação ambiental”. Segundo Zein, “a escala do dano e os custos de restauração exigem ação coletiva e parcerias de longo prazo”.
Custos da devastação
O custo total da devastação, segundo o estudo, supera R$ 125 bilhões (US$ 25 bilhões). Desse valor US$ 6,8 bilhões são atribuídos em perdas físicas, US$ 7,2 bilhões em danos econômicos e US$ 11 bilhões em recuperação e reconstrução.
Entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, o país foi submetido a uma ofensiva militar “sem precedentes e sustentada”, que remodelou sua paisagem física e ecológica, afirma o documento. Embora os ataques tenham sido mais intensos no sul e no leste do país, seus efeitos espalharam-se para outras áreas devido à interligação entre ecossistemas, bacias hidrográficas e cadeias de abastecimento.
Mais de 5 mil hectares de cobertura florestal foram danificados ou destruídos, incluindo pinhais e vegetação nativa que funcionavam como áreas de biodiversidade e sumidouros de carbono. Em valores, as perdas em ativos agrícolas (plantações, pecuária, pesca e infraestrutura rural) chegam a US$ 118 milhões.
A paralisação da produção agropecuária teria provocado outros US$ 586 milhões em perdas de produção por colheitas. Entre os danos citados estão ainda a devastação de 2.154 hectares de pomares, incluindo oliveiras e plantações cítricas, além da contaminação do solo por metais pesados, hidrocarbonetos e resíduos químicos provenientes de munições e escombros.
Além do diagnóstico, o relatório propõe um plano estratégico para a recuperação pós-guerra, destacando que a crise é sistêmica e vai além do meio ambiente, afetando saúde pública, segurança alimentar e capacidade de recuperação econômica do país.
Resposta de Israel
Ao The Guardian, um porta-voz israelense afirmou que “as Forças de Defesa de Israel estão cientes dos potenciais impactos ambientais de suas operações na região”.
Ele disse que as ações visam “proteger os cidadãos de Israel e garantir a segurança e a proteção das áreas ao redor” e que “todas as ações são realizadas com precauções para minimizar danos a civis e ao meio ambiente”, afirmou.
O documento foi divulgado em meio ao cessar-fogo parcial na fronteira sul e não engloba os prejuízos ambientais relativos aos ataques israelenses ao território neste ano.
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