A coalizão de oposição ao premiê Benjamin Netanyahu em Israel, liderada pelo centrista Yair Lapid e pelo ex-primeiro-ministro de direita, Naftali Bennett, não prevê a participação de partidos árabes. A questão veio à tona após o lançamento do partido Yachad (Juntos), no último domingo (26/04).

No mesmo dia, Netanyahu postou uma foto de Bennett e Lapid, de 2021, com o presidente da Lista Árabe Unida (UAL), Mansour Abbas. “Eles fizeram isso uma vez, farão de novo”, afirma a legenda. Em outra postagem, o premiê israelense afirmou “Bennett e Lapid vão novamente com a aliança dos Irmãos Muçulmanos, apoiadores do terrorismo”.

Netanyahu se referia à breve coalizão entre os líderes da oposição, durante 2021 e 2022, período que marcou a interrupção de seu governo e incluiu, pela primeira vez, a UAL em diversificada coalizão de partidos de direita, centro e esquerda. Ao informar o episódio, veículos internacionais destacaram que Bennett já afirmou que não buscará coalizão com partidos árabes e descartou ceder qualquer território a ‘inimigos’.

No domingo, ele afirmou que a coalizão só contará com partidos sionistas, insinuando que não voltará a fazer parceria com partidos árabes. “Não estamos no bloco de esquerda nem no bloco de direita, estamos no bloco de toda a nação israelense”, disse. A posição vem sendo anunciada desde o ano passado.

Em março de 2025, ele afirmou que “devido à guerra que está acontecendo agora e à composição dos partidos árabes, não faz sentido para eles se juntarem ao governo”. “Podemos formar uma coligação com 90 [dos 120] membros do Knesset, uma coligação muito ampla, que colocará Israel de volta no caminho certo, mas para isso eles precisam ser sionistas, e isso significa que o próximo governo não incluirá partidos árabes”, acrescentou na época.

‘Mudança não será real’

Segundo o Harretz, Gadi Eisenkot, também na liderança da coalização e Yair Lapid igualmente declararam que o governo não será dependente do apoio de partidos árabes. Análise de Jack Khoury, publicada nesta sexta-feira (29/04) no jornal israelense, afirma que a exclusão dos partidos árabes pode comprometer as chances da oposição de derrotar Netanyahu nas próximas eleições.

Segundo o texto, por trás da tática, “esconde-se uma verdade profunda e perturbadora que revela o sucesso da campanha de deslegitimação da direita contra o público árabe de Israel e o medo que os remanescentes da esquerda têm de reagir a ela”.

A análise afirma que o pleito definirá não apenas quem substituirá Netanyahu, mas também qual modelo político surgirá no país. Neste cenário, “se o “novo Israel” for fundado sobre a exclusão de 20% da população — os cidadãos árabes israelenses — a mudança prometida não será real”.

Ao exclui “um setor inteiro da população do jogo político”, o que se avizinha seria apenas “uma versão atualizada da velha polarização entre o campo pró-Netanyahu e o campo anti-Netanyahu, sem mudanças estruturais” nas relações internas do país e “sem perspectiva de avanço diplomático com os palestinos”, aponta o jornal.

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