O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou nesta segunda-feira (27/04) que negociações diretas estão “fora de questão” e que seu grupo continuará resistindo e respondendo à “agressão” israelense. Em contrapartida, o gabinete do presidente Joseph Aoun decretou que as negociações continuariam a partir de um cessar-fogo.
Rejeitando as negociações do governo libanês com Tel Aviv, a alta liderança delineou cinco condições que devem ser cumpridas antes que conversas diretas possam ocorrer. “A cessação da agressão por terra, mar e ar, a retirada de Israel dos territórios ocupados, a libertação dos prisioneiros, o retorno do povo a todas as suas aldeias e cidades e a reconstrução”, disse ele, segundo o comunicado do grupo.
“É responsabilidade das autoridades libanesas interromper as negociações diretas com o inimigo israelense e adotar negociações indiretas, bem como anular a decisão de março que criminaliza a resistência e sua base popular, que representa mais da metade da população libanesa, para que possam prosseguir com um diálogo interno que coloque os interesses do Líbano acima de qualquer consideração, sem ceder aos ditames israelenses e estrangeiros”, disse Qassem.
Por sua vez, a liderança da Resistência libanesa decretou que não irá ceder as armas, como também continuará a defender o país. “Não vamos entregar as armas, e a defesa e o campo de batalha provaram nossa prontidão para o confronto”, disse ele. “Continuaremos nossa resistência defensiva pelo Líbano e seu povo. Não retornaremos ao status quo anterior a março; responderemos à agressão israelense e a confrontaremos. Não importa o que o inimigo ameace, não recuaremos, não nos curvaremos, não seremos derrotados”, afirmou.
O líder do Hezbollah reiterou que o grupo não se renderá, apesar dos grandes sacrifícios. Ele também afirmou que as forças armadas israelenses ficaram surpresas com a capacidade do Hezbollah de resistir à ocupação israelense, e que a Resistência Islâmica intensificou suas operações nos últimos dias em retaliação à ofensiva no território libanês, matando um soldado israelense e ferindo seis.
Qassem acrescentou que o potencial deles é “inesgotável” e prometeu que Israel não permaneceria no Líbano, e que “nosso povo retornará às suas terras até o último centímetro de nossa fronteira sul com a Palestina ocupada“.
O líder do Hezbollah também disse que Tel Aviv, com o apoio dos EUA, apostou no fim do grupo, mas não obteve sucesso desde 23 de setembro de 2024, quando o regime sionista iniciou uma campanha de ataques aéreos em todo o Líbano. “O inimigo chegou a um beco sem saída; essa resistência é contínua, forte e não pode ser derrotada”, disse ele.
“Cessar-fogo é ‘primeiro passo’ necessário para negociações com Israel”
O gabinete do presidente Joseph Aoun divulgou um comunicado no X atualizando a posição do governo em relação à guerra no Líbano e às futuras negociações com Israel.
“Informamos ao lado norte-americano que conduz os esforços – o que foi apreciado – desde o primeiro momento, que um cessar-fogo é um primeiro passo necessário para quaisquer negociações subsequentes” com Israel, disse ele, acrescentando que isso já havia sido claramente declarado pelo Departamento de Estado dos EUA.
Segundo um comunicado de Washington, Aoun afirmou: “Tel Aviv não realizará nenhuma operação militar offensiva contra alvos libaneses, incluindo alvos civis e militares, bem como outros alvos estatais em território libanês, por terra, mar e ar”.
Ele afirmou que essa é a posição oficial do Líbano e que qualquer entidade dentro do país que emita declarações contrárias a ela não tem autoridade. O posicionamento surge após o líder do Hezbollah ter rejeitado negociações diretas com Israel.
الرئيس جوزاف عون امام وفد من حاصبيا والعرقوب:
– ابلغنا الجانب الاميركي القائم بمساعيه مشكوراً، ومنذ اللحظة الأولى ان وقف إطلاق النار هو خطوة أولى ضرورية لأي مفاوضات لاحقة وهذا ما كررناه في الجلستين اللتين عقدتا على مستوى السفراء في ١٤ و٢٣ نيسان، وهو ما كان قد ورد بشكل واضح في… pic.twitter.com/EsEa93JsWu
— Lebanese Presidency (@LBpresidency) April 27, 2026
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