Há 81 anos, em 30 de abril de 1945, Adolf Hitler se suicidava com um tiro na cabeça. O chanceler alemão temia ser capturado pelos soldados do Exército Vermelho, que já ocupavam as ruas de Berlim.

Líder do Partido Nazista, Hitler chegou ao poder em 1933, respaldado pelo apoio da burguesia e por uma estratégia que buscava explorar o descontentamento popular com a crise política e as dificuldades econômicas do entreguerras.

Após converter a Alemanha em uma ditadura sanguinária, Hitler instituiu uma política de extermínio de opositores e grupos vistos como indesejáveis, resultando na morte de dezenas de milhões de pessoas, incluindo judeus, eslavos, romanis, comunistas, pessoas com deficiência, Testemunhas de Jeová, etc.

O líder nazista também promoveu uma agressiva política expansionista, que levou à eclosão da Segunda Guerra Mundial e mergulhou o mundo em uma carnificina nunca antes vista.

Da juventude à Primeira Guerra Mundial

Adolf Hitler nasceu em 1889 na cidade de Braunau am Inn, no Império Austro-Húngaro, filho do agente alfandegário Alois Hitler e de Klara Pölzl. Em sua juventude, alimentou o sonho de ser pintor, mas foi reprovado por duas vezes no exame de admissão da Academia de Belas Artes de Viena.

Vivendo na capital austríaca, Hitler foi fortemente influenciado pelo nacionalismo chauvinista de Georg von Schönerer e pelo antissemitismo exaltado de Karl Lueger. Refletindo o ambiente de crise econômica e social e as tensões étnicas que cresciam no interior do Império Austro-Húngaro, Viena havia se consolidado como um centro de difusão do pensamento pangermânico. Hitler desenvolveu um ódio irracional aos judeus, passando a associá-los ao marxismo e à “degeneração cultural” da sociedade.

Após o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, Hitler se alistou no Exército Bávaro. Ele atuou como mensageiro na Frente Ocidental e foi ferido na Batalha de Somme. A derrota alemã no conflito o indignou profundamente. Hitler considerava que o Armistício de Compiègne havia sido uma “facada nas costas” arquitetada por judeus, marxistas e políticos traidores. Vingar a Alemanha pelo aviltamento sofrido na guerra se tornaria sua obsessão.

Após o término do conflito, Hitler permaneceu em Munique atuando como agente de inteligência do Exército. Em 1919, ele se infiltrou no Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP), uma pequena agremiação que defendia ideias ultranacionalistas, antimarxistas e antissemitas. No partido, Hitler logo se destacaria por seu radicalismo e pela retórica inflamada, convertendo-se em um dos principais dirigentes.

Em 1920, o DAP seria renomeado como Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou Partido Nazista (NSDAP). Hitler redigiu o programa de 25 pontos do partido e se destacou por seus discursos cáusticos atacando a República de Weimar, condenando a humilhação imposta pelo Tratado de Versalhes e demonizando os comunistas e os judeus.

A ascensão do nazismo

Inspirado pelas ações de Benito Mussolini na Itália, Hitler tentou articular um golpe de Estado em Munique em novembro de 1923 — o “Putsch da Cervejaria”. O plano falhou, resultando na morte de 16 nazistas e quatro policiais.

Preso e acusado de alta traição, Hitler conseguiu transformar seu próprio julgamento em um palanque e se beneficiou da visibilidade nacional que a tentativa de golpe lhe trouxe. O líder nazista foi condenado a cinco anos de prisão, mas cumpriu apenas nove meses na prisão de Landsberg.

Durante o cárcere, Hitler escreveu “Mein Kampf” (“Minha Luta”), um misto de autobiografia e manifesto político. No livro, o autor expõe sua visão de mundo calcada no anticomunismo e no antissemitismo e defende a criação de um Estado alemão assentado sobre os princípios da hierarquia racial e da alegada superioridade de uma “raça ariana”. Mais de um milhão de exemplares do livro foram vendidos em 1933.

Após a libertação de Hitler, os nazistas colocariam em prática uma estratégia de fortalecimento político conformada aos limites das instituições democráticas. A instabilidade da República de Weimar e a Crise de 1929 forneceram o cenário ideal para a difusão do discurso demagógico da extrema-direita.

O alto índice de desemprego e a hiperinflação haviam jogado milhões de trabalhadores na miséria. O Partido Nazista exploraria de forma extremamente hábil o descontentamento popular, atraindo grandes multidões para seus comícios e atos públicos.

Hitler também receberia forte apoio de financistas e da burguesia industrial. Alarmados com a crescente agitação do movimento operário, os empresários alemães enxergariam o movimento nazista como uma barreira de contenção contra o comunismo e as organizações sindicais.

Recursos vultosos seriam mobilizados para difundir a propaganda nazista, resultando em um crescimento exponencial do NSDAP. Nas eleições de 1930, os nazistas saltaram de 12 para 107 deputados no Reichstag. Na eleição presidencial de 1932, Hitler obteve 37% dos votos, ficando em segundo lugar, atrás de Paul von Hindenburg. Acuado pelos nazistas e por uma base de sustentação fragilizada, Hindenburg acabou por nomear Hitler como chanceler em um governo de coalizão.

O Terceiro Reich e a Segunda Guerra Mundial

Os nazistas agiram rapidamente para assegurar o controle sobre o Estado alemão. O incêndio do Reichstag em fevereiro de 1933, atribuído a um comunista holandês, serviu de pretexto para um decreto suspendendo as liberdades civis. No mês seguinte, a Lei de Plenos Poderes daria a Hitler autoridade para governar por decreto. Partidos políticos foram banidos, sindicatos e movimentos sociais foram dissolvidos e as igrejas foram postas sob controle do governo.

Os rivais internos e potenciais adversários de Hitler no Partido Nazista seriam eliminados em junho de 1934, na chamada “Noite das Facas Longas”. Com a morte de Hindenburg em agosto de 1934, Hitler passaria a acumular os cargos de chanceler e presidente, tornando-se efetivamente ditador da Alemanha e assumindo o título de “Führer”.

Respaldados pela burguesia e atuando sem qualquer tipo de oposição ou limites institucionais, os nazistas submeteram toda a sociedade alemã ao seu “consenso nacional”. O regime estabeleceu um sistema de partido único, apoiado por uma poderosa máquina de propaganda comandada por Joseph Goebbels. Milhares de dissidentes e opositores foram eliminados pelas milícias nazistas e pelas forças repressivas do Estado.

No campo da política externa, Hitler rechaçou as restrições impostas pelo Tratado de Versalhes e ordenou o rearmamento e remilitarização da Alemanha. Após firmar alianças militares com os regimes fascistas da Itália e do Japão, o governo alemão deu início a um agressivo projeto expansionista que visava dotar o país de um amplo “espaço vital” (Lebensraum), anexando os territórios da Europa Central e do Leste Europeu.

A inércia e a condescendência das potências ocidentais encorajavam cada vez mais o avanço do Terceiro Reich. Em 1939, após anexar a Áustria e os Sudetos, Hitler invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo em que se expandia pela Europa, o governo alemão promovia uma política sistemática de perseguição contra judeus, eslavos, romanis, comunistas, homossexuais, pessoas com deficiência, Testemunhas de Jeová e outros grupos. A perseguição evoluiria para uma ofensiva genocida. Campos de concentração e extermínio viabilizaram o assassinato em escala industrial, matando dezenas de milhões de pessoas.

A reação soviética

O regime nazista obteve uma impressionante sequência de vitórias na Europa a partir de 1939, logrando ocupar os territórios da França, Polônia, Dinamarca, Noruega, Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, Iugoslávia e Grécia.

Em junho de 1941, Hitler ordenou a invasão da União Soviética na Operação Barbarossa. Considerada o maior ataque terrestre da história, a campanha mobilizou quase quatro milhões de soldados do Eixo e abriu uma frente de batalha com quase 3.000 quilômetros de extensão.

A invasão se converteu em uma verdadeira guerra de extermínio, com consequências devastadoras para os soviéticos. Milhões de civis foram assassinados e mais de 5.000 cidades e vilarejos foram destruídos.

Até 1942, a Alemanha aparentava ser invencível, mas os rumos da guerra foram profundamente alterados pela Batalha de Stalingrado. Após cinco meses de combates encarniçados e mais de dois milhões de mortes, a heroica resistência soviética conseguiu subjugar o 6º Exército da Wehrmacht, ferindo de morte a estratégia militar do Terceiro Reich.

A partir de 1943, a Alemanha sofreria revezes em todas as frentes, sendo forçada a sucessivos recuos. Os soviéticos obtiveram uma nova vitória decisiva contra os nazistas na Batalha de Kursk, a maior batalha de tanques da história. A abertura de uma nova frente de combate dos Aliados na Normandia durante o chamado “Dia D” aumentaria a pressão sobre o regime nazista.

Não obstante, foi a esmagadora vitória da União Soviética na Operação Bagration que reduziu os planos da Alemanha a pó. Durante a ofensiva, os soviéticos destruíram 28 das 34 divisões do Grupo de Exércitos Centro da Wehrmacht, eliminando 450 mil soldados nazistas e capturando outros 300 mil no bolsão da Curlândia.

Acuados, os oficiais nazistas tentaram reorganizar suas defesas enquanto os soviéticos retomavam o controle da Polônia e avançavam sobre território alemão durante a Ofensiva de Vistula-Oder.

A Batalha de Berlim

Abandonando quaisquer pretensões de reverter o quadro, o exército alemão concentrou-se em tentar proteger Berlim do avanço soviético, colocando em prática um plano defensivo denominado Operação Clausewitz. As defesas alemãs, entretanto, estavam em péssimo estado, com soldados cansados, desorganizados, mal preparados e, acima de tudo, desesperançosos. Tropas de Waffen-SS, membros da Volkssturm e até crianças e adolescentes filiados à Juventude Hitlerista foram mandados para a linha de frente.

A resistência foi em vão. O Exército Vermelho derrotou as tropas nazistas nas batalhas de Seelower Höhen e Halbe, cercando Berlim. Em 16 de abril de 1945, as tropas soviéticas ingressavam na capital alemã, atacando a cidade pelo leste e pelo sul, enquanto uma terceira divisão avançava pelo norte. Era o início da Batalha de Berlim — a última batalha da Segunda Guerra Mundial no teatro europeu.

Em 20 de abril de 1945, no aniversário de Hitler, a artilharia soviética iniciou o bombardeio do centro de Berlim, seguindo as instruções do marechal Georgy Jukov. Com tropas três vezes mais numerosas do que as defesas alemãs, o Exército Vermelho iniciou a conquista da cidade, tomando Berlim quadra por quadra, rua por rua.

Enquanto os soviéticos avançavam, Hitler se escondia no “Führerbunker”, o bunker da chancelaria localizado nos arredores do Portão de Brandenburgo, no centro de Berlim. Estava acompanhado de sua amante, Eva Braun, e de seu círculo imediato de colaboradores.

No esconderijo, o líder nazista vivia uma rotina angustiante, inconformado com os relatórios diários que registravam a insustentabilidade do regime nazista. A princípio, tentou manter um otimismo artificial, simulando acreditar na possibilidade de reverter a situação.

Quando a realidade começou a se impor, entretanto, Hitler se descontrolou. Reagia com histéricos acessos de raiva a qualquer nova informação negativa e dirigia impropérios aos subordinados, responsabilizando-os pelo ocaso do Terceiro Reich.

Vários oficiais da Wehrmacht abandonaram Hitler e fugiram de Berlim. Desesperado, o líder nazista exortava o povo alemão a resistir e falava sobre divisões e unidades do exército que já tinham sido totalmente aniquiladas como se ainda existissem.

O suicídio

Na última semana de abril, as bombas soviéticas começavam a explodir sobre o centro de Berlim, aumentando a ansiedade do Führer. Em 28 de abril, Hitler foi informado de que seu braço direito, Heinrich Himmler, havia contatado os Aliados para oferecer sua rendição. Pouco tempo depois, soube que o líder fascista Benito Mussolini fora capturado pelos partisans italianos, fuzilado e execrado em praça pública.

Temendo seu destino caso fosse capturado pelos soviéticos — não queria ser “exposto em um zoológico de Moscou”, conforme mencionou — Hitler consultou o médico da SS Werner Haase para saber qual seria o método de suicídio mais confiável. No dia 29 de abril, casou-se com sua companheira, Eva Braun.

Em 30 de abril, Hitler foi informado de que os soviéticos estavam a apenas 500 metros do bunker. Teve uma última reunião com Helmuth Weidling, comandante da Área de Defesa de Berlim, que lhe assegurou que os militares nazistas ficariam sem munição no mesmo dia e que os combates estariam encerrados em no máximo 24 horas. Almoçou e se despediu dos secretários e oficiais. Às 14h30, ingressou com Eva Braun em seu escritório. Eva se suicidou ingerindo uma cápsula de cianeto. Hitler atirou na própria cabeça com uma pistola.

Após o suicídio, seus assistentes levaram os corpos até a saída de emergência do bunker. Os cadáveres foram enrolados em lençóis, embebidos em gasolina e incinerados. Em seguida, o casal foi enterrado no jardim da chancelaria do Reich.

Os restos mortais foram removidos do local por colaboradores nazistas alguns dias depois. Após o anúncio da morte do Führer, vários oficiais do regime e do exército alemão seguiram seu exemplo, abreviando as próprias vidas — incluindo o ministro da propaganda Joseph Goebbels, que assassinou os seis filhos e depois se suicidou junto com sua esposa, Magda, em 1º de maio.

No dia 2 de maio, a guarnição alemã em Berlim se rendeu, embora a luta tenha se estendido por mais alguns dias nos arredores da cidade. Liderados pelo tenente Aleks Panasov, os soldados soviéticos ingressaram no bunker em 5 de maio e encontraram vestígios dos corpos de Hitler e sua mulher enterrados no jardim.

Panasov reagiu com frustração. “O bandido escapou no último minuto. Só deixaram carne e ossos queimados”. Os soldados o consolaram. Não capturaram Hitler com vida, mas conseguiram a vitória. Em 8 de maio, com a capitulação das últimas unidades leais ao Terceiro Reich, anunciou-se oficialmente o término da Segunda Guerra Mundial na Europa.

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