A Polícia Federal (PF) anunciou nesta quarta-feira (22/04) que retirou as credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava em Brasília.

A decisão foi tomada em conformidade com uma regra de reciprocidade adotada em função de os Estados Unidos determinarem o afastamento do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, do trabalho de colaboração entre as forças de segurança dos dois países.

Em seu comunicado, a PF não revelou o nome do agente cujas credenciais foram retiradas, e também anunciou a nomeação da delegada Tatiana Alves Torres para substituir Marcelo Ivo em Miami.

O delegado Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, disse em entrevista ao canal GloboNews que “retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos Estados Unidos pelo princípio da reciprocidade”.

Rodrigues acrescentou que o agente norte-americano não será expulso do Brasil. “Assim como o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, nós, Polícia Federal, não vamos expulsar ninguém do Brasil. Não é nosso papel”, afirmou.

“O Itamaraty, também no campo da reciprocidade diplomática, tem feito reuniões, contatos. É preciso que seja feita alguma formalização da nossa contraparte para que as coisas aconteçam”, completou o diretor-geral da PF.

Caso Ramagem

O caso ganhou repercussão na última segunda-feira (20/04), quando o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país – a postagem não citou o nome do funcionário envolvido, mas detalhou que ele estaria ligado à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão por seu envolvimento na trama golpista liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023) após o segundo turno das eleições de 2022.

O ex-parlamentar, que também foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Bolsonaro, se encontrava foragido em Miami desde setembro de 2025, e foi preso no dia 13 de abril por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, por sua sigla em inglês), mas libertado dois dias depois.

A punição ao delegado da PF que trabalhou em colaboração com o ICE na prisão de Ramagem foi criticada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento na Alemanha, onde realiza visita de Estado.

“Se houve um abuso dos norte-americanos em relação ao nosso policial, nós vamos aplicar reciprocidade com um deles no Brasil. Não tem conversa”, disse o mandatário brasileiro.

Segundo Lula, “não podemos aceitar ingerência e abuso de autoridade que algumas personalidades norte-americanas querem ter em relação ao Brasil”.

 

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