O partido Bulgária Progressista, liderado pelo presidente búlgaro até janeiro deste ano, Rumen Radev, foi o grande vencedor das eleições parlamentares no país do Leste Europeu que ocorreram neste domingo (19/04). A legenda obteve 44,7% dos votos, superando com ampla margem a coalizão conservadora GERB-SDS, liderada por Boyko Borissov, com13,4 % dos votos; e a pró-europeia Continuamos a Mudança (PP-DB), com cerca de 12,6%.

A eleição legislativa neste domingo foi a oitava realizada em apenas cinco anos, após a crise iniciada em 2021, quando o premiê Boyko Borissov foi afastado, em meio às denúncias de corrupção. Radev, que governou o país entre 2017 e 2026, renunciou em janeiro para concorrer às eleições.

Após a divulgação das primeiras pesquisas de boca de urna, ele reiterou que ocorrerão mudanças na política externa do país, que é membro da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Radev garantiu que a Bulgária irá manter seu alinhamento com o bloco europeu, mas destacou que será necessário revisar sua estratégia diplomática.

Ele defendeu uma reorientação pragmática e a retomada do diálogo com Moscou, além de uma posição mais crítica em relação à União Europeia. “Pergunte ao [presidente francês Emmanuel] Macron, primeiro-ministro da Bélgica, pergunte a outros líderes europeus, incluindo o chanceler [alemão] [Friedrich] Merz, que disse que esse diálogo [com a Rússia] deve ser restaurado”, afirmou.

De Moscou, o porta-voz Dmitri Peskov classificou suas declarações de “encorajadoras”. Radev também foi parabenizado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

‘Vitória da esperança’

Segundo os resultados provisórios da urnas, Radev contará com maioria no Parlamento, com projeções indicando entre 131 e 134 cadeiras, acima das 121 necessárias. Ele fez uma campanha marcada por críticas à política europeia em relação à guerra na Ucrânia, posicionando-se contra o envio de armamentos para Kiev e defendendo negociações diplomáticas.

O país de 6,5 milhões de habitantes enfrenta um aumento do custo de vida, inflação e desafios energéticos, especialmente após as sanções contra as fontes russas de gás e petróleo. “Se quisermos que a Europa tenha autonomia estratégica real… A Europa deve pensar muito seriamente sobre como garantirá seus recursos, porque sem recursos energéticos não podemos falar sobre competitividade”, afirmou Radev, após a votação.

Nas redes sociais, ele comemorou o resultado das urnas agradecendo os cidadãos búlgaros “que perceberam sua responsabilidade e votaram com consciência”, classificando o pleito como uma “vitória da esperança sobre a incredulidade, da liberdade sobre o medo e, sobretudo, uma vitória a moralidade”.

“Votamos ativamente, derrotamos a apatia, mas a desconfiança na política búlgara ainda é grande e este é apenas o primeiro passo para restaurar o contrato público”, acrescentou, sem antecipar detalhes sobre a formação do novo governo.

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