Há 87 anos, em 22 de abril de 1939, nascia o ator e diretor Sérgio Mamberti, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira. Com uma carreira de mais de seis décadas, ele se destacou por diversos papéis no teatro, no cinema e na televisão — e tornou-se muito conhecido pelo público infantil ao interpretar o Dr. Victor da série Castelo Rá-Tim-Bum.

Além de sua atuação artística, Mamberti teve um papel relevante na formulação e gestão de políticas culturais no Brasil. Foi militante do PCB, membro-fundador do PT e ocupou cargos importantes no Ministério da Cultura, contribuindo para a articulação de iniciativas voltadas à democratização da arte.

A carreira artística

Sérgio Mamberti nasceu em Santos, no litoral paulista, em uma família de ascendência italiana.  Interessado pelo teatro desde a cedo, ingressou no curso de artes cênicas da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP). Seu irmão mais novo, Cláudio Mamberti, também se destacaria como ator.

Durante a juventude, Sérgio se aproximou do Teatro de Arena e militou pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Fez sua estreia no teatro com a peça Antígone América, escrita por Carlos Henrique Escobar e produzida por Ruth Escobar.

Ingressou em seguida na companhia teatral Decisão e, ao lado de Antônio Abujamra, Glauce Rocha e Plínio Marcos, participou dos movimentos de resistência à ditadura militar. Em 1969, foi premiado por sua participação no espetáculo O Balcão, de Jean Genet.

Na década de 1970, Sérgio integrou os elencos de algumas das principais peças de teatro montadas na capital paulista, trabalhando ao lado de ícones da dramaturgia brasileira como Beatriz Segall e Paulo José

Estreou no cinema com o filme Nudista à força, de Victor Lima, participando posteriormente diversos clássicos nacionais, tais como O Bandido da Luz Vermelha, Toda Nudez Será Castigada, A Hora da Estrela, O Homem do Pau-Brasil e A Dama do Cine Shangai. Destacou-se ainda como articulador cultural, ajudando a promover grupos como Asdrúbal Trouxe o Trombone e os Novos Baianos.

Nos anos oitenta, Sérgio interpretou o Rei Cláudio na peça Hamlet, de William Shakespeare (montagem de Marco Aurélio), e viveu Argan, em Tartufo, de Molière (montagem de José Possi Neto), papel dividido com Paulo Autran.

Obteve igual destaque nas novelas, interpretando João Semana na primeira versão de As Pupilas do Senhor Reitor, Galeno Sampaio no folhetim Brilhante e o carismático mordomo Eugênio em Vale Tudo. Na década seguinte, destacou-se como o Dr. Victor, personagem do programa infanto-juvenil Castelo Rá-Tim-Bum, veiculado pela TV Cultura.

Sérgio foi casado com a atriz Vivian Benvinda Behar Mehr, com quem teve três filhos: o ator Duda Mamberti, o diretor Fabrício Mamberti e o produtor Carlos Mamberti. Após ficar viúvo em 1980, ele iniciou um novo relacionamento com Ednardo Torquato, seu parceiro pelo resto da vida.

Atuação política

Sérgio Mamberti foi um dos membros fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), criado em 1980. Ajudou a coletar assinaturas para o registro da legenda e tomou parte de sua organização interna. Participou da mobilização pela anistia e integrou movimento Diretas Já, em prol da redemocratização do Brasil.

Nos anos noventa, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Sérgio ajudou a formar 300 lideranças culturais aplicando o método do Teatro do Oprimido, desenvolvido por Augusto Boal.

Após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República em 2002, Sérgio exerceu diversos cargos nos governos do PT. Foi Secretário de Música e Artes Cênicas, Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural, Presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e Secretário de Políticas Culturais.

Sérgio criticou firmemente os protestos de junho de 2013, descrevendo-os como “manifestações financiadas pelo capital internacional e pela burguesia brasileira para desestabilizar o país” e os comparou às marchas da Tradição, Família e Propriedade que antecederam o golpe militar de 1964. Militou contra o golpe parlamentar que depôs Dilma Rousseff em 2016, fez oposição às reformas impopulares do governo Temer e integrou o movimento “Lula Livre”.

Foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 2017 e venceu o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2018. Em 2019, estreou sua última peça — “O Ovo de Ouro”, de Luccas Papp, que conta a história dos judeus que eram forçados a matar outros judeus na Alemanha nazista. Faleceu em 3 de setembro de 2021, aos 82 anos, vitimado por uma infecção pulmonar.

O ator foi postumamente homenageado emprestando seu nome a uma escola de educação infantil em Cidade Ademar, na Zona Sul de São Paulo. Em 2023, o Ministério da Cultura criou o Edital Sérgio Mamberti, a maior iniciativa de fomento direto vinculada à Política Nacional Cultura Viva, responsável por direcionar mais de 30 milhões de reais para o financiamento de projetos teatrais.

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